terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 17 de março de 2010

FUGA videodança

Processo de pesquisa para produção de videodança.
Roteiro


Um emaranhado de linhas desenha entre montanhas a cidade de Belo Horizonte organizando e compondo seu território urbano. São forças que orientam os corpos em trajetos previsíveis, dissolvendo suas ações na paisagem urbana borrada pelos excessos. Possíveis melodias desaparecem no ruído difuso da paisagem sonora Lo fi[1] da metrópole. Ao longe quase não há contrastes. Entretanto, ao direcionar o olhar, fragmentar os espaços, isolar sons e ouvi-los de perto, fazemos um recorte que extrai da paisagem quadros específicos que podem revelar possibilidades de ações fugazes entre as vias do cotidiano.
A câmera enquadra, recorta, seleciona o que será revelado ao olhar, traz à tona linhas ocultas na paisagem urbana, inventa novamente o espaço e o tempo que se abrem agora a novas articulações. Pontes, passarelas, esquinas e escadarias tornam-se espaços irradiadores de movimento, canais de passagem, dobras, frestas por onde escapam corpos, imagens, melodias[2].
Quatro corpos fogem nesta nova cidade possível. Eles possuem um objetivo oculto em comum que os une em cumplicidade. Encontram-se e se perdem a cada novo desvio, traçam linhas errantes pela cidade descobrindo em cada lugar possibilidades de outros deslocamentos e diferentes movimentações. São quatro melodias que se relacionam entre si, com a orquestração da metrópole e com o olhar da câmera num contraponto que procura evidenciar os contrastes entre previsível e possível, caminho e trajetória, paisagem e narrativa.
Cada dançarino desenvolve sua pesquisa corporal partindo de motivos de poética espacial e de musicalidade, criando partituras subjetivas que orientam a performance. Este estímulo provoca uma resposta corporal, um tônus, tensões que reverberam gestos articulados no espaço. É preciso criar ritmos e dinâmicas, jogar com o enquadramento, compor com o espaço e os passantes, evidenciar e surpreender expectativas em uma poética do deslocamento que esburaca o espaço e o tempo.


[1] SCHAFER, Murray. A afinação do mundo. São Paulo: Unesp, 1997.: A paisagem sonora Lo fi (baixa fidelidade) surge com o congestionamento do som após as revoluções industrial e elétrica e é caracterizada pela relação sinal/ruído de um por um.
[2] A idéia de Melodia aqui, bem como outras expressões tomadas do universo da composição musical, extrapola a noção estritamente musical do termo, torna-se uma metáfora para a composição de linhas de ação e de uma poética audiovisual.














Poética espacial
Deslocamento: tema que se desdobra dando origem à fuga. Ele evoca passos, saltos, esquivas, deslizes, mudanças de percepção, linhas de fuga. A partir de um estudo fotográfico das locações são traçadas cartografias que desenham novas linhas no espaço. Surge um jogo de combinações entre as linhas traçadas pela movimentação da câmera, dos dançarinos e das forças dinâmicas da cidade. Vias por onde transitam corpos e olhares.

















Musicalidade
Cada dançarino cria um ritmo próprio, um fraseado pessoal que ora contrasta, ora sincroniza com os demais. Os corpos se lançam no espaço definido pelo enquadramento como que compondo uma melodia. As ações desenhadas no espaço por estes corpos-vozes podem ser sobrepostas formando duos, trios e quartetos, seja em ações simultâneas no mesmo espaço, seja através da contraposição de diferentes takes justapostos em um mesmo quadro formando uma polifonia de imagem, movimento e som.

ESTUDO PARA FUGA
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Equipe
VÍDEO E SOM
Philippe Lobo – Roteiro / direção / trilha sonora
Joacélio Baptista – videomaker
Luish Coelho – Direção de fotografia / videomaker
Wilson Souza – Trilha sonora

ELENCO:
Marcelle Louzada
Lourenço Marques
Karina Collaço
Fábio Dornas


Exercício para uma poética da fuga nº1

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"São Paulo revelada" - Câmara obscura criada em quarto de hotel


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terça-feira, 16 de março de 2010

Intervenção no Museu (vazio) de Arte da Pampulha - Belo Horizonte - 2010

O que você faria se passasse todas as suas férias de janeiro em Belo Horizonte? Se em um domingo ensolarado resolvesse levar a família para um passeio na Pampulha e se deparasse com o Museu de Arte com as portas abertas, funcionários, seguranças, mas absolutamente vazio por dentro? Se questionasse o porquê do Museu estar vazio e manter suas portas abertas e ouvisse como resposta que o espaço vazio está aberto para visitações de sua arquitetura? Se tentasse de alguma forma se divertir no local (afinal, tinha se deslocado para lá naquele domingo) e, ao encostar em uma das cortinas fosse reprimido pela segurança local? Se percebesse que os outros visitantes caminhassem pelo local e fotografassem poses e closes deles mesmos sem ao menos perceber a ausência de obras no Museu? Se soubesse que parte da verba pública destinada a cultura fosse para a manutenção do Museu, bem como para a aquisição de novas obras e projetos e viabilidade de novas exposições? Se trabalhasse com cultura e arte na cidade a duras penas por sentir que os espaços culturais estão cada vez mais compridos, reprimidos e ignorados?

A Intervenção no Museu (vazio) de Arte da Pampulha ocorreu no domingo subseqüente ao ocorrido, porém, desta vez, deslocamo-nos equipados com nossas munições e armas de guerra, preparados a lutar a favor de rupturas da monotonia instalada naquele espaço privilegiado, com sua arquitetura imponente, antes um Cacino de luxo, hoje um Museu de ar...(onde as noivas fazem o seu book e as famílias suas fotos para postar no orkut).

O Museu de Arte da Pampulha é considerado um dos pontos turísticos da cidade (que em véspera de Copa do Mundo tenta a todo custo se tornar referência cultural). É o único Museu da cidade que diz abrigar obras de arte contemporânea.Contemporânea? (aqui jaz)

Nossa intenção foi provocar, desetruturar, ameaçar...a princípio pela parte externa do Museu, nos seus entornos, e aos poucos adentrando no espaço vazio e nos instalando como "obra de arte", "paisagem ambulante" (ou mesmo como corpo político, em busca da ação própria de micropolíticas e máquinas de guerra, a maneira de Deleuze e Guattari).

Se ameaçamos a estrutura, se provocamos outros questionamentos? Talvez não. Talvez, naquele dia, fossemos mais uma paisagem a se fotografar e distrair os visitantes...
Mas, o importante é que não ficamos no sofá da sala ou nas mesas de boteco (que são muitas na cidade), discutindo sobre arte, filosofia e um Museu vazio. Fizemos o que tínhamos a fazer: naquele domingo ensolarado nos propiciamos a tencionar o espaço vazio do Museu com nossos corpos, ativando nossas micropolíticas, nossos desejos internos. Recusamo-nos a "engordar" nosso pensamento pela crítica (também vazia, ou até cheia demais) e colocamos a mão na "massa", cada um a sua maneira. Conseguimos no decorrer da semana, através de diálogos, parceiros para a ação. E, acima de tudo, divertimo-nos muito!


segunda-feira, 15 de março de 2010

®ótulos











































































O processo de ®ótulos se iniciou em 2008, quando foi apresentado no I Prêmio Quik de Estímulos às Artes, no Espaço Quik, situado em Nova Lima, no bairro Jardim Canadá. A partir daí, outras questões foram sendo apropriadas ao conceito, outras mídias foram sendo incorporadas, dando nova forma ao trabalho a partir das interfaces entre as mídias (e as modas). Em 2009,®ótulos foi apresentado em outro formato, no I Festival de Performance de Belo Horizonte. Nesta segunda exposição, percebemos que ®ótulos é um trabalho que se faz e se renova a cada ciclo, podendo ser modificado por completo, tornando-se, inclusive, irreconhecível a cada nova exposição ou embalagem.
Pretendemos utilizar ®ótulos sempre que possível. Estamos antenados aos editais que se estampam por aí, nos mais variados meios. ®ótulos está a venda! É estratégia e marketing.



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domingo, 14 de março de 2010

®ótulos


Release

Partindo da idéia de que a qualificação das coisas e das pessoas são, hoje em dia, cada vez mais atribuídas em um nível superficial através de uma retórica marqueteira, a performance ®ótulos se utiliza da própria lógica da propaganda para construir um discurso estético-crítico permeado por palavra, som, imagem e movimento.

Poderemos descobrir o que há por traz dos rótulos sem ter que violar as embalagens?


Descrição conceitual Pormenorizada

Do útero materno para os primeiros rótulos: nome próprio, sobrenome, laços maternos e paternos. Somos um Silva, um Gomes, um Pinto, um Pereira. Possuímos uma linguagem própria de palavras articuladas, organizadas para estruturar um discurso dominante, representar nossos anseios. Já nascemos predestinados a instituições que moldam desejos. Participamos de um jogo de discursos que a vida aponta e evidencia em seus jogos de rivalidades, binariedades, regras de existência. Ocidentais, passamos pelo rótulo do Édipo e de seus complexos.

Somos institucionalizados desde vivos, inseridos numa sociedade contemporânea, capitalizada e globalizada, com seus signos, símbolos, estereótipos, limites e possibilidades! Cedo, aprendemos certos rótulos que moldam o universo social, que nos mantém inseridos num contexto padronizado, centralizado, tatuagens globalizantes que regem a história.

No bolso, RG, CPF, CNH, título eleitoral e o que for preciso para sustentar o rótulo de bom cidadão, enquadrado, defensor da moral e dos bons costumes. Nossas vestimentas, nossos carros, cigarros, geladeiras rotulam nossos estilos, modas, mídias vigentes, dando-nos a sensação de uma liberdade de escolha. Possuímos diversos rótulos que compramos a todo momento num intenso fluxo de produção/consumo. Colecionamos rótulos.

Superficializando a percepção, os rótulos, instituídos de sentidos imediatistas, são as alternativas que imperam frente ao desafio de refletir sobre as coisas, as pessoas e sobre si, fazendo reinar o discurso do consumo sem fim. E, como seria o rótulo do rótulo? Um meta-rótulo? Não é essa a questão. Mas a critica e a auto-critica podem transversalizar a superfície rotular para atingir um nível mais profundo das coisas e de si, desterritorializando as imediatisses para reterritorializar novas realidades.